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Fazenda em Jeriquara, SP, mantém tradição do café há mais de 100 anos sob comando de quatro gerações de mulheres

'EPTV nas Férias': Conheça fazenda centenária com matriarca de 102 anos em Jeriquara, SP Uma fazenda centenária em Jeriquara (SP), na região de Ribeirão P...

Fazenda em Jeriquara, SP, mantém tradição do café há mais de 100 anos sob comando de quatro gerações de mulheres
Fazenda em Jeriquara, SP, mantém tradição do café há mais de 100 anos sob comando de quatro gerações de mulheres (Foto: Reprodução)

'EPTV nas Férias': Conheça fazenda centenária com matriarca de 102 anos em Jeriquara, SP Uma fazenda centenária em Jeriquara (SP), na região de Ribeirão Preto (SP), mantém viva há mais de 100 anos a tradição da produção de café e hoje é comandada por quatro gerações de mulheres da mesma família. A propriedade faz parte da rota do café do “EPTV nas Férias” e tem como matriarca Juliana de Oliveira, de 103 anos. 📺 Durante quatro semanas, entre janeiro e fevereiro, a EPTV exibe o "EPTV nas Férias", uma série de reportagens especiais que percorre quatro rotas turísticas, destacando a rota do vulcão, no Sul de Minas; a rota das cachoeiras, em São Carlos; a rota do café, em Ribeirão Preto; e a rota do circuito das águas, em Campinas. A gestão da produção está hoje sob responsabilidade de Bruna Fernandes Malta, neta de Juliana. Ela coordena as atividades da propriedade, acompanha todas as etapas da cadeia produtiva e divide funções dentro da fazenda. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Quatro gerações de mulheres da mesma família mantêm viva a tradição da produção de café na fazenda centenária, em Jeriquara (SP). Reprodução EPTV A sucessão feminina atravessa a história da propriedade: além da matriarca Juliana, participam do dia a dia a filha Sueli Fernandes Malta, a neta Bruna e a bisneta Maria Rita. "A gente trabalha com a cadeia completa do café. Eu acompanho tudo aqui dentro da propriedade. Hoje, faço o gerenciamento da produção, divido as funções e coordeno tudo o que acontece na lavoura. É uma lavoura comandada por mulheres”, disse Bruna. 🪴 Como tudo começou A história da fazenda começou no início do século passado, quando a área ainda era, em grande parte, mata fechada. Juliana conta que, quando se casou, havia pouco café plantado. Ela e o marido passaram a cultivar o terreno e criaram os filhos trabalhando na lavoura. "Quando eu cheguei aqui, tinha pouquinho café, mais praquele lado. O resto era tudo mato, não tinha nada. A gente começou a mexer nesse pedacinho, depois vieram os filhos. Eu criei meus filhos debaixo dos pés de café, trabalhando com meu marido na roça.”, explicou a agricultora. Hoje, a fazenda soma mais de 130 hectares de área plantada. O cenário atual é bem diferente daquele do início do século passado. O trabalho que antes era feito com enxada e colheita manual deu lugar a máquinas, equipamentos e técnicas modernas. A matriarca afirma que, apesar da tecnologia, a base do cultivo continua sendo o cuidado diário com a lavoura. “No meu tempo não tinha esse maquinário todo. Era tudo na enxada, a colheita era na mão. Foi muito difícil no começo. Depois, os filhos foram comprando os equipamentos, foi ficando mais fácil, mas eles aprenderam tudo junto com a gente, trabalhando na lavoura.” A fazenda soma mais de 130 hectares de área plantada de café, em Jeriquara (SP), no interior de São Paulo. Reprodução EPTV ☕ Alta Mogiana A história da família acompanha a própria formação da chamada Alta Mogiana, uma das principais regiões cafeeiras do país. O pesquisador Otávio Henrique da Silva Lemes explica que o café chegou ao interior paulista após avançar pelo Vale do Paraíba fluminense e paulista, expandindo-se depois para Campinas, Limeira, Ribeirão Preto e, mais tarde, Franca e região. Localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, a Alta Mogiana é formada por 16 cidades paulistas e sete mineiras. O desenvolvimento da região esteve diretamente ligado à antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que partia de Campinas e cortava o interior para escoar a produção de café e transportar pessoas. Antiga estação da Companhia Mogiana, inaugurada em 1888, em Franca (SP), ajudou a impulsionar o escoamento do café e o desenvolvimento da região da Alta Mogiana. Reprodução EPTV Em Franca, a estação Mogiana foi inaugurada em 1888 e funcionou até 1971. Após mais de três décadas desativada, passou por restauração e hoje abriga um centro cultural e o Mercado Municipal. “O café tem uma história muito amarga, porque ele tem um ciclo econômico movido pelo tráfico de pessoas negras. Então elas moviam a economia do café. Naquela época aqui na nossa região a gente tinha pequenas pousadas e economias voltadas dentro dos vilarejos para esse comércio que migrava para Minas Gerais, Goiás. Com a vinda do café e da companhia Mogiana a gente teve uma grande expansão do café como uma importância econômica", disse Otávio. Atualmente, a Alta Mogiana é reconhecida pela produção de cafés especiais. De acordo com o pesquisador, a combinação entre altitude elevada e solos de origem vulcânica favorece o cultivo do café arábica, responsável pelos grãos mais valorizados. “Toda a nossa região é composta por esse solo que tem origem vulcânica, de uma imensa qualidade, e também essa altitude que possibilita esse grão específico do café. Em outras regiões do Brasil a gente não consegue produzir da esma forma. Hoje em dia o café da nossa região é muito admirado". explicou o pesquisador. Grãos de café colhidos na fazenda centenária, que hoje produz cafés especiais na região de Ribeirão Preto (SP). Reprodução EPTV 📍 Fazenda aberta para visitação Além da produção, a fazenda de Jeriquara também investe no turismo rural. O espaço é aberto à visitação e oferece um roteiro que apresenta todas as etapas do café, da lavoura à xícara. As visitas custam R$ 200 por pessoa, com café da manhã e almoço inclusos. As turmas são formadas sob demanda. Aos 103 anos, Dona Juliana acompanha a rotina da propriedade e vê no crescimento da lavoura a realização de um sonho. "Quando eu olho pra isso aqui, eu fico feliz e agradeço muito a Deus. Aquilo que a gente tinha vontade, a gente conseguiu. O café vai continuar, e a família também vai continuar aumentando.”, concluiu Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região